• Bora Cronicar

Sofia e Isadora por Micélia de Oliveira

Eu demorei pra entender o que era amar de verdade. Talvez a imaturidade. Talvez a comercial carência que nos é imposta de estar sempre acompanhada. Quem sabe o medo besta que nos ensinam desde criança da solidão.


Quando Sofia nasceu eu experimentei a incrível sensação de me ver no outro, de querer ser melhor e dar o melhor. Por muito tempo vivi os sonhos que planejei pra ela. Achava que dessa forma era a melhor mãe, a tal mãe-que-vive-pelos-filhos. A vontade de acertar só não me deixava perceber que minha menina teria seus próprios sonhos, seus próprios desejos, sua vida e suas escolhas.


O tempo implacável e as experiências doloridas (graças a Deus!) me jogaram os fatos na cara. Ninguém é feliz se não consegue refletir seus próprios sonhos. Eu também demorei pra entender isso.


Quando Isadora nasceu eu ressignifiquei tudo isso. Criar, educar e orientar um filho não é difícil. A gente complica as coisas. Dá trabalho, é fato. Isa me ensinou a descomplicar. Trouxe leveza e calma. Menos pressão. Podem continuar correndo. Eu não preciso mais. Eu quero experimentar a tranquilidade desse amor. Já não me importa a sala desarrumada, a parede riscada, muito menos o café frio me esperando no balcão. Eu tenho tantas outras prioridades ao lado das minhas filhas.

E a gente só ganhou com tudo isso. Mais momentos juntas (que nem sempre são fofinhos e perfeitos rsrs), mais colo, mais abraço...mais amor, mais vida. Não me cobro, não me culpo, não me torturo. Nunca tive tanta certeza de estar fazendo o bem. Bem pra mim, bem pra elas. Livre do julgamento de quem acha que mãe é apenas aquele par de pernas que aparece nos desenhos animados e passa o dia lavando e passando, sem nome, sem seus próprios sonhos, sem vida. Definitivamente essa não sou eu. Porque ninguém é feliz se não consegue refletir seus próprios sonhos. Sim, hoje eu entendo tudo isso.

MICÉLIA DE OLIVEIRA é mãe da Sofia e da Isa. Formada em Letras. Servidora pública. Torcedora do Ferroviário. Eventual procrastinadora, mas funciona bem sob pressão. Sem tempo pra gente fresca. Desconfia de quem não anda de ônibus e morre de medo de adoecer. Traz umas lonjuras no peito... mas ainda bem que é passarinho.

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