• Bora Cronicar

Meu filho, meu tudo por Karine Vask

Eu não tinha o super desejo e instinto maternal, apenas vivia um relacionamento adolescente que perdurou e aos 21, aconteceu.


Foi difícil, fiquei sem chão.


Morava com meus pais, havia começado a trabalhar, e não imaginava como ia fazer.Fiquei em negação. Vivendo um dia após o outro, como se em um belo despertar, iria perceber que isso não fosse mais que um sonho. Mas como era de se esperar, a barriga foi crescendo, e me denunciando.Não deu mais para fingir, nem esconder para quem quer que fosse.


Foi um choque para os meus pais. Meu pai, principalmente. Eu o vi mudar completamente de comportamento, isolando-se num fundo do quintal, cada noite que chegava do trabalho.

Não me restava opção, tinha que cuidar da barriga, então só lá pelo 4º ou 5º mês, é que fui dar início ao pré-natal.


Segui. Do mesmo jeito, só que sem esconder a gestação. Acostumei-me com a ideia, mas não tinha aquele amor e carinho, até conversava com aquele serzinho algumas vezes, depois que ele passou a se manifestar lá de dentro.


Paralelo a isso, vivia numa relação conturbada com o pai da criança, mas devido ao conservadorismo, preparávamos para casar, quer dizer, assinar os papéis e morar junto.

Certa noite, com uns 8 meses, após sentir mais uma raiva do tal namorado. Comecei a perder líquido, e gritei pela minha mãe.


Fui para a maternidade, com dores horríveis, as famosas contrações, mas em algumas horas, nascia meu filho, de um parto normal. E assim, passaram-se os anos. Cuidando de uma criança linda, um anjinho, mas sem muito jeito. Mesmo não sendo a melhor das mães, eu amava aquele menino.


E a vida seguia. Até que por volta dos 7 anos, sua situação de irritabilidade e agressividade no colégio ficou incontrolável, e fui chamada à responsabilidade. Para olhar meu filho como ele precisava e merecia.


Começou a saga da procura de cuidados.Psicóloga, sessões, neuropediatra, consultas, exames e um discreto diagnóstico de autismo leve. Sempre me senti sozinha com ele, eu e meu coraçãozinho. Depois de muitas tentativas e sofrimento acumulado, me separei do pai dele. E isso foi ótimo pra mim, porque iria então me dedicar ao meu filho. Pensar somente nele, preocupar-me somente com ele.


Busca por médicos, por medicação ideal, por terapias. A saga não termina. Atendimento no SUS que não era satisfatório para a necessidade dele. Procura por plano de saúde, por médicos, por terapias. A luta não para.Não dá pra se acostumar, porque tudo muda, o tempo todo. As necessidades, os stims, os cuidados. As preocupações se renovam.


Quando você parece que entende como é cuidar de um menino, você olha e ele já é um pré-adolescente.Interação social deficiente, seletividade alimentar, baixa tolerância à frustação, déficit de atenção. Mas um amor que não tem tamanho. O abraço mais acolhedor.Eu não cuido dele, é ele quem cuida de mim.


O diagnóstico dele me fez acordar pro tesouro que eu tenho e que preciso guardar, cuidar, amar.

É de fazer chorar, lembrar daquele menino que no hospital, dava pra segurar com um braço, e hoje, já é maior que a mãe, quase um rapaz. Vou sempre me cobrar, me culpar por não fazer mais por ele. Por não ser a terapeuta, a psicóloga, a psicopedagoga, a médica, a nutricionista que ele precisa.Mas como já li, ou ouvi em algum lugar por aí, eu sou a melhor mãe que meu filho poderia ter. Eu faço tudo o que posso por ele, mas isso, pra mim, nunca vai ser o bastante, porque eu o amo demais.


Meu tudo, meu amor, meu coraçãozinho.


KARINE VASK, uma mocinha de trinta e poucos anos, que vem descobrindo o amor pela escrita, conhecendo o mundo das palavras. Aventurando-se em seus pequenos textos, como forma de expressar as emoções. Uma aprendiz de escritora.

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