• Bora Cronicar

Espelho por Shirlei Pontes

Outro dia olhei no espelho e vi minha mãe...


Quando eu tinha sete anos, perdi meu pai e ganhei o dobro de amor da minha mãe. Foi como ter voltado ao útero dela, que me blindou da dor de perder. Assim, minha referência de maternidade nasceu no mais alto patamar e se fortificou quando vi minha mãe se tornar mãe da minha avó, que voltou a ser criança com a chegada do Parkinson.


Quando minha barriga começou a crescer, retirei películas invisíveis dos meus olhos, arranquei tampões imaginários dos meus ouvidos e pela primeira vez, entrei sem obstáculos no coração da minha mãe. Enxerguei, assim, o seu amor e aprendi uma das grandes lições da maternidade. Até então, eu não entendia o amor que ela devotava a mim e aos meus quatro irmãos. Minha admiração de filha cresceu e amadureceu. Mudei de patente, agora eu seria sua parceira, ainda aprendiz, mas sua semelhante.

Depois disso, entrei numa viagem sem volta e com um carimbo sem tempo para expirar. Um caminho com emoções no superlativo, onde as dores e os prazeres são vividos com a mesma intensidade. O peito dói, mas dor maior é preencher com culpa o vazio do leite. Acordar sobressaltada achando que esmagou seu filho enquanto adormeceu de cansaço tem o mesmo efeito nas olheiras por passar à noite em claro esperando ele chegar daquela baladinha com os amigos.

Hoje me enxergo na adolescência inocente e imatura deles quando dizem: “mãe, deixa de ser exagerada!” ou então “não se preocupa comigo!”. Nós, mães de útero e de coração, não conseguimos desligar o botão do cuidar. Nasce junto com o filho e não existe manual para removê-lo.

São tantas as mudanças! A memória é sequestrada por essas criaturinhas detentoras do nosso amor. Nossas melhores lembranças passam a ser seus nascimentos, sorrisos e conquistas. Desde o engatinhar até aquele momento de soltar a mão e acreditar que a sementinha que você jogou nesse solo fértil despertará. Passamos a compreender que a outra face do cuidar será o confiar. Outra grande transformação vem com a carga hormonal “injusta” que a natureza nos dá. Geneticamente levamos uma rasteira frente aos homens. Somos bombardeadas por hormônios quase sádicos que testam nossos limites de todas as formas.


Portanto, queridas mulheres, preciso alertá-las: seus choros e seus risos nunca mais serão os mesmos depois dos filhos! Sentimentos confusos misturados a certezas absolutas. O riso de nervoso tentará te enganar enquanto o choro de alegria te deixará instável. Seu nome agora será vulnerabilidade! Mas não se desespere! Isso também é bom! Neste pacote contém uma força que nem você sabia que tinha, sua empatia recebe reforço, o senso de justiça fica latente e seu olhar sobre as pequenas coisas será acolhedor. A partir da maternagem as coisas boas serão maravilhosas e para tentar descrever essa emoção, peço para imaginar o que você sentiu ao olhar pela primeira vez a paisagem mais linda da sua vida. Então, confesso baixinho, eu vivo há 18 anos e em dobro há 12, essa sensação de encantamento! A maternidade é meu eterno “uau” diante da vida e das oportunidades de aprendizado que ela traz! Feliz dia das mães! Bem- vindas ao mundo das imperfeições perfeitas! Hoje olhei no espelho e me vi mãe!


SHIRLEI PONTES é mãe do Leo e da Mari, esposa do André, filha da Dona Eunice, irmã e amiga. 43 anos, formada em Serviço Social. Apaixonada pela escrita como forma de expressão.


88 visualizações2 comentários
Logo palavra copy.png
  • Facebook
  • Instagram

Sobre nós

Serviços

Livros & E-books

Ação social

Autodesenvolvimento

Criatividade

Inspiração

Empoderamento feminino via autodesenvolvimento, palavra e criatividade.