• Bora Cronicar

Carioquinha por Micélia de Oliveira

Eu não li nenhuma matéria sobre “grávida aos 40, e agora?”. Não li depoimentos. Não assisti vídeos de partos no YouTube. Também não comprei revistas, não segui "perfis maternos". Não comprei enxoval, nem berço. (Ok, ok... comprei três mamadeiras de porquinhos.) Não fui a grupos de vivência materna, não li sobre parto humanizado (nunca tinha ouvido falar). Não sabia o que era doula. Comi pimenta. Corri. Comi muita pimenta. E sorvete de tapioca com bolo. Não li sobre "o primeiro ano de vida do seu bebê". Corri mais. Constatei a gravidez no auge dos treinos para minha primeira maratona. Os meus sonhados 42km! Rá rá rá faço é rir quando lembro... mas chorei. Comprei body da Mulher Maravilha. Achava que já sabia de tudo sobre gestar, parir, maternar (e esse verbo, minha gente?) Ora, ora, apenas treze anos de diferença entre as duas gestações... o que poderia dar errado?


O médico do pré-natal sugeria parto normal – eu: Deus me livre, doutor, não vou conseguir! Fui mãe a primeira vez aos 25 anos. Tudo planejado, sonhado, milimetricamente calculado. Naquela época sim, sonhava romântica com “a hora que Deus mandar”, hoje, minhas caras, a coisa mudou de figura.


Aí vem essa criatura. Mal saiu de mim, grudou no meu peito literalmente e arregalou um par de apaixonantes olhinhos puxados.


Desaprendi o pouco que achava que sabia. Ela desconstruiu todos os conceitos da pós em psicopedagogia. Rasgou todos os manuais e apostilas. Ela pôs à prova uma tal virtude chamada paciência que havia me tornado conhecida. Ela nunca quis as mamadeiras de porquinhos. Ela não tem medo de altura. Ela não senta pra comer. É marrenta e antipática. Agarra os cachorros de rua e adora suco de uva de caixinha com pão carioquinha.


Cabocla. Tem o cheiro do amor. Curumim, erê, como era mesmo a vida sem você?


MICÉLIA DE OLIVEIRA é mãe da Sofia e da Isa. Formada em Letras. Servidora pública. Torcedora do Ferroviário. Eventual procrastinadora, mas funciona bem sob pressão. Sem tempo pra gente fresca. Desconfia de quem não anda de ônibus e morre de medo de adoecer. Traz umas lonjuras no peito... mas ainda bem que não é passarinho.


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