Coletivo Literário

"Palavras são uma foma de ação, capazes de influenciar mudanças".

- Ingrid Begins, artista.

O que é o coletivo literário?

É uma ação coletiva de um talentoso grupo de mulheres escritoras nordestinas que publicam cônicas três vezes por semana - ou mais - na rede social Instagram do Bora Cronicar.

Você precisa conhecer:

Por que isso é transformador?

Porque acreditamos no poder da palavra. Mulheres escritoras ainda encontram resistência para serem publicadas devido à difícil trajetória feminina em espaços públicos entendidos como masculinos.

Parece mimimi? Pois vamos a alguns dados históricos.

A imprensa só viu mulheres escrevendo após quase 50 anos de seu início no Brasil. Mulheres só puderam concorrer às cadeiras da Academia Brasileira de Letras após 8 décadas da fundação desta instituição. Hoje, apenas 7 mulheres estão entre os 40 imortais. O senado brasileiro passou 60 anos para ter uma mulher em seu quadro, de forma que apenas em 1990 foram eleitas as primeiras senadoras.

Entende por que se faz necessária uma ação

social? Gerar espaços de visibilidade para mulheres ocuparem lugares sociais que não foram pensados para elas é uma forma de subverter essa lógica. isto se intensifica quando esta iniciativa parte do Nordeste e, especificamente, do Ceará , estado que é o 2o da região em números de feminicídio. Ou seja, esta iniciativa de dar voz e visibilidade a mulheres parte de um lugar onde não acontece apenas silenciamento simbólico feminino, mas morte concreta. 

Entendemos que empoderar mulheres através de ações voltadas ao indivíduo, bem como voltadas ao social são necessárias à modificação da realidade histórica e social de opressão da mulher.

Conheça

Como o coletivo começou: a história das histórias

por Fernanda Carvalho, escritora, psicóloga e fundadora do Bora Cronicar.

Falar do coletivo literário do Bora Cronicar é falar da alma desse projeto. Tudo nasceu, acredite ou não, de um constrangimento real.

Quando venci o Prêmio de Literatura Unifor 2015 senti que minha alma tomou fôlego. Eu estava no segundo ano do mestrado de Psicologia, exausta e empenhada em finalizar minha dissertação. Contudo, eu ainda sentia o comichão da escrita literária, porque escrever literatura faz parte de quem sou. Além disso, entendo o ato de criação artística como algo quase místico, divino e resolvi acolher esse "chamado", seguindo o fluxo da escrita: ora dissertação, ora crônica. Por fim, fechou-se um livro de crônicas, o 7 tortas de saudade, vencedor do referido prêmio.

Na cerimônia de premiação, embora fosse a vencedora da principal categoria, não fui entrevistada - um homem deu a entrevista para o jornal. Achei estranho, mas silenciei. Após o prêmio, busquei um coletivo literário com o qual pudesse contribuir e percebi que a maior parte das equipes fixas eram compostas por homens escritores.

 

Uma ficha caiu e a parte pesquisadora de minha mente disparou: "isto é um dado sócio-histórico". As mulheres largaram depois na corrida por direitos educacionais, reprodutivos, políticos e , ainda hoje, deparam-se com disparidades e inadequações de lugares que não foram pensados para elas. O da escrita é um. O da política é outro. O do trabalho, infelizmente, ainda é contabilizado entre estes.

 

A imprensa só viu mulheres escrevendo após quase 50 anos desde seu início no Brasil. Mulheres só puderam concorrer às cadeiras da Academia Brasileira de Letras após 8 décadas da fundação desta instituição. Hoje, apenas 7 mulheres estão entre os 40 imortais. O senado brasileiro passou 60 anos para ter uma mulher em seu quadro, de forma que apenas em 1990 foram eleitas as primeiras senadoras. Tenso ne ?

Em 8 de junho de 2018, fundei o Bora Cronicar, projeto voltado ao empoderamento feminino e à criatividade. Daí surgiu o desejo de construir um coletivo literário totalmente constituído pelo talento de mulheres escritoras nordestinas. Eu desejava criar uma fissura na realidade social de que a escrita não é lugar de mulher. Com o tempo, o projeto foi se ampliando e percebi que , se eu realmente desejava contribuir para uma transformação profunda nesta realidade, eu precisava criar espaço para modificar histórias individuais.

Acredito que uma mulher com uma voz é, por definição, uma mulher forte, como diz Melinda Gates. Também concordo com esta quando destaca que  a busca por esta voz pode ser especialmente difícil. Por isso, entendi que não basta contribuir apenas para um ambiente externo favorável ao empoderamento feminino, mas é necessário contribuir para a  jornada mais difícil: encontrar a si mesma. Cito, mais uma vez, uma mulher fantástica, a ativista e escritora Toni Bambara: "A revolução começa comigo, no interior. É melhor reservarmos tempo para tornar nossos interiores revolucionários, nossas vidas revolucionárias, nossos relacionamentos revolucionários." Daí o apelo ao autodesenvolvimento feminino, à criatividade/criação e à arte/literatura. Acredito que a palavra é matéria plástica de criação simbólica do ser e do mundo. Acredito que todo ser é criador de si e de sua realidade. Daí o coração do Bora.

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Empoderamento feminino via autodesenvolvimento, palavra e criatividade.